domingo, 8 de fevereiro de 2009

Mais demanda...


Olha, não é fácil ser Deus. Tem sempre um ou outro criticando, mas Eu trabalho uma caralhada. E o pior é que devo cuidar do planejamento e da execução também. E quando alguma coisa dá errado, além de levar a culpa Eu ainda tenho que assumir as consequências (já sem trema). Tem horas que Eu penso em tirar férias, mas depois que assiti "Deus é brasileiro" e "Todo Poderoso" confesso que fiquei com um pouco de medo. Não sei se há alguém qualificado pra isso. Meu filho também está atolado de coisas pra fazer... A Maria então, nem se fala. Sem contar que quando ela está de TPM penso em mandá-la pro outro lado, por questão de segurança. 

Vou até exemplificar. Recentemente, um avião comercial caiu nos Estados Unidos e todo mundo se salvou. Quem é o grande herói? O piloto, obviamente. Mas fui Eu quem ajudou. Não tive tempo de desviar os pássaros, mas quando vi que ia dar problema eu amorteci a queda. Oras, alguém já viu um pouso de barriga na água tão sutil? Só podia ter o dedinho de Deus mesmo... 

Já no Brasil, caiu esses dias um avião no estado do Amazonas. Esse não deu tempo. Se tivesse dado, é claro que Eu teria feito alguma coisa, afinal, o interesse também é Meu. Já comentei em outros momentos o transtorno e a burocracia que existe para receber e acomodar esse monte de gente que chega antes da hora. Mas, se eles morreram, a culpa é de Deus. Deus quis assim... $#@#$$%%¨%$##@, faça-me o favor!

Hoje é dia de jogo, domingão, e é sempre um problemaço. Como sou um administrador corporativo, não cuido apenas do Brasil, treinei um grupo de anjos-estagiários, não muito experientes, mas foi a solução que encontrei para o problema de sedentarismo e superlotação aqui no paraíso.  Eles estarão in charge do país por hoje. Por isso, pensem em antes de fazer qualquer loucura, dentro e fora dos estádios.  E devo reforçar outra coisa: uma vez morto, não adianta mais apelar para as orações... 


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A casa caiu


Literalmente... Não pude fazer nada para impedir. E muito menos para ajudar, que fique bem claro! O teto da igreja Renascer caiu e eu lamento ter perdido quase uma dezena de fiéis súditos. Não que fossem pessoas perfeitas. Mas eram pessoas que cuidavam do meu marketing pessoal. Bom, ao menos, algum jornalista lembrou de comentar que a taça do Kaká não estava mais no prédio. Acho que a informação é de extrema importância, não? Talvez para vocês, humanos e, portanto, materialistas e insensíveis. 

Mas devo confessar que esse tipo de tragédia, em tempos de guerra, dá um trabalho logístico danado! Mas eu sou Deus, dou sempre um jeito. Como se já não bastasse, ainda teve a bendita posse de Obama. Ninguém merece né? Imagina se aparece algum terrorista por lá? Mais mortes, mais almas, menos espaço. Preciso melhorar a estrutura por aqui. Por falar em presidente, ainda bem que o Bush se mandou. Nunca vi alguém me mandar tanta gente. A crise imobiliária já estaria aqui, se eu tivesse permitido o sistema capitalista no paraíso (o que seria absurdo, afinal, imagina se eu começasse a deixar um bando de espíritos gananciosos mandar por aqui, sem a interferência do Estado, ou melhor, sem a minha interferência?) É, como dizem por aí, "Deus sabe o que faz." E o que não faz também! Não foi por minha vontade que George W. se reelegeu nos Estados Unidos. Ah, se eu pudesse voltar atrás naquela história de livre arbítrio...

domingo, 11 de janeiro de 2009

Palestina x Israel: ô trampo...


Não sei quem foi que inventou a história de que os israelenses eram o povo de Deus, mas uma coisa é certa: não fui Eu! Não que Eu esteja querendo tirar o meu da reta agora que as coisas esquentaram lá em Gaza (outra vez), mas é que Eu, com toda a minha sabedoria, não cometeria um erro tão estúpido. 

Não estou defendendo os palestinos. Não agora. Ninguém é santo (e essa é outra longa discussão). Mas os israelenses passam dos limites. E não me venham com essa de que o problema é Deus. Neste caso (especificamente, e que isso fique bem claro), nem mesmo a religião. Os interesses são totalmente materiais e/ou uma questão de orgulho. Quer coisa mais profana que isso? 

Tenho analisado o estrago desde que a nova "rinchinha" começou, há uns 15 dias, se bem me lembro. Contei mais de 800 mortos palestinos e pouco mais de uma dúzia de israelenses. Alguma coisa está errada aí... 

Falando de religião (que, aliás, foi a invenção humana que mais me deu trabalho, até hoje), os judeus têm um crédito gigante com o mundo. Ok... Mas não podem pagar com a mesma moeda, vestidos de ovelhinhas sacrificadas, por toda a eternidade. Além disso, deixo claro aos mulçumanos que a história das virgens é balela. Tudo mentira. Eu nunca disse isso, consultem o Corão. Estou tendo uma série de problemas aqui em cima com os recém-chegados. 

Meus filhos, por favor, dêem os dedinhos e parem com toda essa bobagem. Afinal, no fim das contas, vocês todos terão que viver aqui comigo, num lugar branco, com som ambiente, anjos sem sexo... Uma chatice, mas isso não vai mudar, mesmo que vocês se matem aí. Esqueçam a ilusão do inferno, festas, bebidas... O inferno é aí, onde vocês vivem. Aproveitem enquanto puderem, essa é a minha dica. E digo mais: não repito o dilúvio apenas porque não tenho infra-estrutura para receber todos de uma vez. Sabe aquela história de promessa, arco-íris e tudo mais? Adivinhem? Deve ter sido o mesmo cara que inventou a história das virgens...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Uma forcinha é sempre bem-vinda


Muita gente espera por um milagre. Estou farto disso. Não preciso provar nada para ninguém. O segredo é ter fé. Se você acredita, terá. Não porque Eu vou entregar as coisas de mão beijada, mas porque você irá fazer todo o possível para conseguir, afinal, vale muito mais a pena quando se sabe, de antemão, que dará certo no final. Esse é o grande segredo. Fé e força de vontade. 

Quem não acredita em Mim, não sabe o que está perdendo. É muito difícil viver em um mundo onde se está sozinho. É muito difícil viver sem poder culpar as "forças superiores". Essas pessoas acabam machucadas por falta de quem culpar, de quem dividir as alegrias e as tristezas... Afinal, vamos combinar que nenhum ser humano aguenta ser babá dos amigos, em todos os momentos. Já Deus... Além de ouvir sempre, e com atenção, provavelmente não vai reclamar (para você). 

Bom, não vou ficar dando uma de chato e enchendo este espaço de ladainhas (tenho quem faça isso por Mim, principalmente em praças e locais públicos). Sei que enche. Mas a mensagem de hoje é: não se perde nada em acreditar que existe alguém maior disposo a ajudar... É só uma dica. Fui. 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O espírito do Natal



O espírito do Natal sempre é lembrado em dezembro. Todos os anos, as famílias se reúnem para comemorar a vida, a fraternidade, a caridade... E tudo em Meu nome. Balela. Tudo balela. 

Estou farto de ver pessoas usando o Meu santo nome em vão. O Meu e o do tal Papai Noel, que é um cara que, dizem, sai por aí distribuindo presentes. Na verdade, daqui de cima só o vejo, atualmente, como um grande (no sentido literal da palavra) homem de uniforme vermelho fazendo grana para os outros por aí. E os outros não são criancinhas inocentes que mandam cartas (ou e-mails) pedindo pequenas felicidades. 

É uma vergonha que as pessoas sejam tão dissimuladas a ponto de insistirem em dizer que o Natal é uma data religiosa. Por favor, admitam que é uma estratégia puramente comercial, mais uma maneira das pessoas competirem entre si pelos melhores presentes, se exibirem para os familiares distantes, contarem vantagem, usarem roupas pomposas... Nem se espera mais até a meia-noite para a ceia. Missa do galo? Só se for com o gato do padre Fábio. Nem vou comentar isso... Já transformaram até mesmo o dia que foi dado à minha escolhida, Maria (ou Nossa Senhora Aparecida, para alguns), em Dia das Crianças. Oras, o que será que dá mais dinheiro? Mas essa é outra canalhice...

Assim como o Papai Noel do shopping, estou de saco cheio de tudo isso. Feliz Natal. 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Sobre a predestinação


Um dia desses, o motorista de um ônibus ouvia uma rádio popular qualquer. Das músicas, não se esperava muito. Das locuções também não. Mas o que mais despertou a Minha ira foi uma certa história contada no ar, ao vivo, para milhares ou sei lá quantos (não contei de lá de cima) ouvintes inocentes. O estúpido ou pau-mandado locutor leu um conto que deixava claro que Deus (sim, eu mesmo) havia decidido, sabiamente, o papel de cada uma das pessoas na Terra. 

Antes de qualquer coisa, quero saber quem pode provar isso. Não lembro de ter colocado nada disso nas escrituras sagradas (em nenhuma delas, com nenhum dos meus pseudônimos). Além disso, é muito fácil colocar a culpa em Mim. É muito fácil dizer pro cara que perdeu o emprego, a família e tudo o que importava para ele que a vontade foi Minha. Quando algum filho da mãe (e deixe Maria fora disso) enriquece com o dinheiro dos outros não diz que a culpa (ou ajuda) foi minha, a não ser que seja para se safar. 

Aos que pregam o destino e a vontade divina como o motivo de todas as coisas (a maioria delas ruins, e não por minha culpa) eu tenho a resposta oficial: o livre arbítrio (o capitalismo anda tirando proveito disso de forma destrutiva, mas essa já é outra história triste). 

Se Eu soubesse que o Meu nome seria usado para justificar tanta maldade humana, preferiria que o usassem em vão. Abaixo o segundo mandamento! Alguém tem uma pedra por aí?

O chamado


Antes de qualquer palavra, preciso deixar claro uma coisa: não sou Deus, sou o mensageiro. As demais mensagens serão escritas por Ele, através de mim. Agora posso contar que loucura é essa...

Estava em frente ao micro, numa pacata noite de segunda-feira. Tempo fechado, céu nublado, frio húmido, marcas de pés molhados pelo chão. O cachorro cheirava mal do lado de fora da casa e, por esse motivo, não podia entrar. O gato olhava meio de canto pela janela, com um sorriso maldoso e charmosíssimo, enquanto procurava a melhor maneira de se deitar perto de mim. 

Queria muito escrever a respeito do que sentia naquele momento, mas não saía nada. Isso não significa que eu não sentia coisa alguma. E esse era o meu dilema. Faltavam-me as palavras. Sobravam sentimentos e angústias

Até que, de repente, pude ver um clarão vindo do céu, dentre as nuvens escuras, e senti meus dedos batendo no teclado, rapidamente, como nunca antes (normalmente, uso, no máximo, três dedos para digitar). Segundos depois, pude ler no monitor: "farei das suas angústias Minhas, se fizeres das Minhas palavras as Suas. Ass: Deus". Pronto, tava feito o trato. Digitei um "yep", seguido de um emoticon sorrindo e recebi o "amém". Como trato é trato e com Deus não se brinca, passarei a postar de acordo com a vontade divina. 

A história que acabei de contar é verdadeira. De acordo com Suas palavras, neste espaço será possível conferir comentários de uma sociedade que está fora do controle do Criador.  Agora, basta saber se o mundo está preparado para saber o que Deus pensa de toda essa bagunça.